Ana Bigotte Vieira

baldio no AND_lab

ACARTE, retrato da memória como peso morto
Ana Bigotte Vieira

baldio no AND_Lab, investigação em arte-pensamento

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Ora bem, o pretexto desta entrevista é o prémio ACARTE/ Madalena Perdigão que recebeu no dia 9. Todo o prémio e um estímulo, diz-se. Este é? É um estimulo muito grande. Primeiro o prémio em si e o nome do prémio, porque a Dra. Madalena Perdigão e o ACARTE  – e já muito antes do ACARTE – foram sem dúvida o principal suporte disto que chamamos Nova Dança em Portugal: deve-se lhes a existência hoje de sete ou oito ou dez jovens coreógrafos, cada um com o seu projecto.

João Fiadeiro em O Jornal ilustrado, 24-01-92

Ao pesquisar nos arquivos do Serviço ACARTE do Centro de Arte Moderna daFundação Calouste Gulbenkian encontrei uma entrevista dada por João Fiadeiro ao Século Ilustrado, em 1992, quando O Retrato da Memória Enquanto Peso Morto ganhou o recém criado primeiro prémio ACARTE/Madalena Perdigão. Nela o coreógrafo sugere uma relação estreita entre a acção deste Serviço e a emergência daquilo a que se chamou a Nova Dança Portuguesa. Esta, sublinha André Lepecki, é contemporânea do aparecimento de um “novo tipo de subjectividade num determinado contexto político, económico e social – o de um país a sair de um passado de isolamento, subdesenvolvimento e colonização e a investir na criação de uma nova identidade com a qual encontrar um lugar numa idealizada ‘modernidade europeia’”.

De que forma pode o ACARTE, um Serviço do recém inaugurado Centro de Arte Moderna, relacionar-se com isto? Como abordar hoje a sua acção? E que acção foi esta, onde cultura de massas e cultura popular, propostas nacionais e internacionais parecem coexistir tão abertamente? De que forma a especificidade do espaço público do Museu informa esta coexistência? E como entender a enfâse que este Serviço coloca na presença do corpo ao vivo e na performance? Usando como fio condutor entrevistas de História Oral, que cruzarei com dados de arquivo organizados cronologicamente num interface digital que construí, gostava de discutir alguns dos problemas que uma abordagem da acção do Serviço ACARTE entre 1984 e 1989 implica.

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