porquê estudos de performance?

Os Estudos de Performance, Estudos Performativos ou Estudos sobre Performance (como também já foram chamados, depende da tradução de Performance Studies) são um campo interdisciplinar de pesquisa que cruza as humanidades, as ciências sociais e a arte. Encontram-se entre o teatro, e a antropologia, os estudos de folclore e a sociologia, a história, a semiótica e a teoria crítica, os estudos de género e a psicanálise, a teoria da cultura popular e dos media, os estudos culturais, pós-coloniais e o pós-estruturalismo, os eventos performativos e o performativo dos eventos. Os Estudos de Performance procuram produzir as lentes para uma análise sustentada das práticas performativas e do performativo das práticas, debruçando-se sobre teatro, dança, arte da performance, rituais, dramas sociais e práticas incorporadas.

Vendo as formas de expressão cultural como prática e como episteme, partem do princípio de que a experiência pode ser compreendida como um modo de saber, o que transporta consigo consequências metodológicas e políticas. Metodológicas na medida em que pensar o trabalho de campo como performance questiona a ideia da simples “recolha de dados” de um observador sobre um observado; políticas, porque situadas (não neutras), e porque atentas à forma (performativa) como  se reproduzem, sustentam, subvertem, criticam, e naturalizam as ideias, os discursos e as práticas.

Como se dará conta em detalhe na secção de entrevistas, este campo apareceu nos Estados Unidos na década de Oitenta.  O primeiro departamento de Estudos de Performance foi fundado na década de Oitenta na Tisch School of The Arts da New York University, em Nova Iorque, e partiu de uma reformulação no departamento de Drama. Poucos anos depois, no seio da Escola de Comunicação da Universidade de Northwestern, em Chicago (vindo, portanto, de outra tradição) terá aparecido o que terá sido o segundo departamento nesta área. Hoje em dia os Estudos de Performance são um campo em ampla expansão estando a ser reinventados em línguas e latitudes diversas, um pouco por todo o mundo.

De difícil tradução directa, o termo performance entrou na língua portuguesa, podendo já ser usado sem ter de se acusar o estrangeirismo, como aqui nos dá conta o dicionário online da Porto Editora. Importa, porém, distinguir agora os Estudos de Performance, cuja explicação tentámos avançar acima, das Artes Performativas e da Arte da Performance.

Artes Performativas/ Performing Arts seria então o nome dado ao conjunto de artes (como  a dança, o teatro, a música) que utilizam o corpo como medium e dependem da co-presença entre público e intérprete para a sua realização, ao passo que Arte da Performance/ Performance Art referir-se-ia a um género artístico com características específicas que se disseminaria a partir da segunda metade do séc XX.

REFERÊNCIAS:
A FORUM, 2007, “Is Performance Studies Imperialist? Part 3”, TDR: The Drama Review, v. 51, n. 4 (T196, Winter), p. 7-23.
CONQUERGOOD, Dwight, 2002, “Performance Studies: Interventions and Radical Research”, TDR: The Drama Review, vol. 46, no. 2, (T174, Summer), p. 145-156.
HARDING, James and ROSENTHAL, Cindy, eds., 2011, The rise of performance studies : rethinking Richard Schechner’s broad spectrum. Studies in international performance . Basingstoke: Palgrave Macmillan.
MCKENZIE, Jon, 2006, “Is Performance Studies Imperialist?”, TDR: The Drama Review, v. 50, n. 4 (T192, Winter), p. 5-8.
MCKENZIE, Jon, 2001, Perform or Else: from discipline to performance. London, UK: Routledge.
REINELT, Janelle, 2007, “Is Performance Studies Imperialist? Part 2”. TDR: The Drama Review, v. 51, n.3 (T195, Fall), p. 7-16.
SHANNON, JACKSON, 2001, “Professing Performances: disciplinary genealogies”, TDR: The Drama Review, v. 45, n. 1 (T169, Spring), p. 84-95.