Iris van der Tuin

Num gesto estético que se constitui simultaneamente enquanto gesto político, esta conferência realizou-se no evento Indirecções Generativas e teve lugar numa antiga piscina municipal de Montemor-o-Novo (7 de Setembro de 2013).

Inúmeros pensadores críticos e activistas hoje em dia olham para o passado em busca de estratégias que lhes permitam desenhar futuros inclusivos (de identidade sexual, de anti-racismo). Pense-se, por ex., no ‘temporal drag’ de Elizabeth Freeman, ou na aproporiação femme-nista de ‘vintage’ de Ulrika Dahl’s. Considere-se nesta perspectiva o estudo de clássicos pós-coloniais como o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, de 1928, ou de histórias ‘menores’ (como, por exemplo, as Africanas). Nesta minha contribuição gostaria de interrogar como é que estes saltos anacronistas acontecem. Como é que saltamos para futuros do passado?
Sendo devedora do facto de tanto o pós-feminismo como o pós-colonialismo conterem em si um certo anacronismo (as pós feministas consideraram o feminismo fora de moda e enterraram-no prematuramente; a temporalidade pós colonialista é mais complexa), eu gostaria de tentar uma discussão precisa da noção de ‘geração’. Geração (de acordo com a raíz etimológica genoi) pergunta como podemos classificar ideias e (de genesthai; vir a ser) como essas ideias são geradas e permanecem generativas.
A relação estreita entre genoi e genesthai torna claro que não nos devemos apressar a colocar de parte os padrões da temporalidade linear; indirecções entrecruzam-se com direcções. e Alargar e afinar a noção de ‘geração’, argumentarei, tem potencial para o projecto deste Encontro.

Imagens: Isabel Brison e Nuno Rodrigues de Sousa; Som: stress.fm (Nuno Torres).

Iris van der Tuin é Professora Assistente de Estudos de Género no Department of Media and Culture Studies na Utrecht University. Trabalha sobre epistemologias feministas e o novo materialismo, escrevendo sobre estes temas para várias revistas da especialidade. É co-directora da organização European Association for Gender Research, Education and Documentation (ATGENDER).