Programa Público | Participação Gratuita


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PERFORMANCES E SESSÕES DE TRABALHO PÚBLICAS

7 de Setembro, 10h – 12h | Antiga Piscina Municipal

CONSTRUIR, DIALOGAR, RESIGNIFICAR, um projecto Casa do Vapor/ Exyzt

A partir da experiência vivida na construção da Casa do Vapor – um lugar de experimentação, troca, encontro e partilha de saberes – propomos um re-acting (re-encenar/reagir) em busca da construção/activação de uma ideia, de um espaço temporário, de um lugar onde seja possível agir, actuar, reagir e interagir. A experiência prática num workshop de construção em madeira estabelecerá relações e promoverá vivências que nos permitirão entrar em diálogo uns com os outros e encontrar resignificações.

A CASA DO VAPOR é fruto de uma parceria do coletivo Exyzt com a Associação Ensaios e Diálogos e a Associação de Moradores da Cova do Vapor. É uma construção efémera que serve de ponto de encontro para a comunidade local e visitantes de fora.Foi criada como espaço de estímulo à partilha, à aprendizagem, à criação e à experimentação artística, que serve de impulso à participação ativa e à valorização cultural da comunidade da Cova do Vapor. De Abril a Outubro de 2013 a Casa acolhe um programa cultural variado e abre-se a todos como centro catalisador de ideias e incubadora de projetos individuais ou coletivos.

7 de Setembro, 15h – 18h | Terreno da Adua (ponto de encontro às 14.30: Oficinas do Convento)

OFERECEM-SE SOMBRAS, um projecto Centro de Investigação Cultura e Sustentabilidade/ CICS organizado por  Vera Mantero

Ponto de Encontro: Oficinas do Convento. 1ª saída: 14.30h, 2ª saída: 16h

Ocupar por um dia o terreno da Adua. Ocupar as suas árvores e/ou suas respectivas sombras. Fazer nele uma espécie de “grande retrato”, um retrato com 32 hectares, um retrato sobre o qual se pode caminhar, deambular, descobrir, derivar, perder-se, e onde se podem “ver” as ideias, as necessidades e os desejos de vida que atravessam projectos como o CICS, a Transição, o Decrescimento e afins.

Quando o Indirecções me fez a proposta disseram entre outras coisas “a tua sessão de trabalho pode ser teórica, pode ser prática, pode ser ambas coisas, pode até ser subir a árvores…”. Entre a teoria e a prática, a hipótese das árvores foi a que mais me marcou! E foi esta a proposta que lancei aos membros do CICS e a vários habitantes de Montemor e que juntos propusemos ao Indirecções Generativas.

Vera Mantero começou a sua careira coreográfica em 1987 e desde 1991 tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canada, Correia do Sul, EUA e Singapura.

O “Centro de Investigação Cultura e Sustentabilidade” (CICS) tem como principal objectivo conduzir uma investigação inovadora sobre as possibilidades de articulação da cultura com a sustentabilidade; sobre a relação entre o lugar – o local – e o mundo – o global –, com base nas ideias de ‘glocalização’ e de ‘reterritorialização’.

CONFERÊNCIAS EM BALDIOS

Num gesto estético que se constitui simultaneamente enquanto gesto político, as conferências terão lugar em espaços de públicos abandonados (uma piscina municipal fechada, uma estação de caminhos de ferro desactivada).

6 de Setembro | Estação de Caminhos de Ferro desactivada

Quem precisa do conceito de performance?

“Precisará o Sul Global do conceito de esfera pública?” interroga-se Boaventura de Sousa Santos em Esfera pública e Epistemologias do Sul.

O conceito de esfera pública, cujas pressupostos teóricos e culturais estão intimamente relacionados com a história da Modernidade Ocidental, reflecte as prácticas políticas da burguesia europeia no início do século XVIII. Estes pressupostos não são necessariamente válidos universalmente, mesmo quando se parecem referir a grandes teorias gerais. De um modo semelhante, podemos então perguntar: precisará o sul global do conceito de performance? A emergência da performance como conceito-chave numa multiplicidade de campos e numa pluralidade de discursos, diz Jon MacKenzie, está directamente ligada com o desenvolvimento das sociedades ocidentais (os EUA em particular) no Pós Segunda Guerra Mundial, o que inclui a ascensão do neo-liberalismo e as transformações nas prácticas de conhecimento, características daquilo a que Lyotard chamou a condição pós-moderna. O que levanta questões semelhantes às levantadas por Boaventura de Sousa Santos a respeito da esfera pública.

Como nos poderemos manter à distância sem “deitar de uma vez só toda esta tradição tão rica para o caixote do lixo da história?” Explorarei as possibilidades abertas pela “duplamente transgressiva sociologia das ausências e das emergências” de Boaventura de Sousa Santos a uma aproximação contra-hegemónica à performance (e, por extensão, aos Estudos de Performance). Para tal servir-me-ei do conceito de “Former West” proposto por Maria Hlavajova nas suas recentes investigações sobre os processos de canonização em Estudos de Performance, e pela crítica empreendida por Chantal Mouffe ao conceito Habermasiano de esfera pública.

Maaike Bleeker é professora de Estudos de Teatro e Directora da Escola de Media e Cultural Studies da Universidade de Utrecht. Estudou História de Arte, Estudos Teatrais e Filosofia da Universidade de Amsterdão, tendo-se espacializado em Visualidade no Teatro, tema da sua tese de Doutorament na Amsterdam School for Cultural Analysis (ASCA). Desde 1991 que Trabalha igualmente como dramaturga em teatro e dança. É autora de Visuality in the Theatre (Palgrave, 2008). Tem publicado extensivamente em revista internacionais da especialidade e editado vários livros dos quais se destacam: Anatomy Live: Performance and the Operating Theatre (AUP 2008).  Prepara actualmente uma monografia intitulada Corporeal Literacy e um livro sobre dança e tecnologia digital (intitulado Transmission in Motion). Maaike Bleeker é president da Performance Studies international tendo organizado a  conferência internacional da Performance Studies international #17 sob o tema de Camillo 2.0: Technology, Memory, Experience.

O teatro tem servido de estímulo para acções de protesto, manifestações e revoluções. No entanto, nos assim chamados “novos/novos movimentos sociais” e nos protestos contemporâneos não estará a sua acção para além das performances teatrais? Não deveremos antes falar de  performance activism? Ou, tratar-se-á afinal de re-performance ou mesmo de re-enactments, dado que o arquivo, a documentação, a mediatização, para além da presença, se tornaram centrais?Performance activism é assim um sistema rizomático construído por (e em) manifestações de rua, acções de desobediência civil, ocupação do espaço publico e na sua  respectiva propagação e difusão na internet. Ou seja, ‘if the revolution will not be televised, will it be downloaded’?

Paulo Raposo é Professor Auxiliar no Departamento de Antropologia do ISCTE e Professor convidado da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2004-2008). Coordena actualmente a Pós-Graduação em Culturas Visuais Digitais do ISCTE-IUL. Foi Presidente da Direcção do Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS/ISCTE), membro da Direcção da Associação Portuguesa de Antropologia (APA, 2004-2009), fundador do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA, 2007-09), e fez parte da Comissão Editorial da revista Etnográfica (2000-2009). Publicou em diversas revistas e livros nacionais e internacionais. Realizou várias investigações de terreno em Portugal trabalhando sobre temáticas como o corpo, ritual, educação e mais recentemente na área das performances culturais, turismo, património imaterial e culturas visuais. Colabora regularmente com várias estruturas teatrais e performativas.

7 de Setembro | Antiga Piscina Municipal

Nicholas Ridout irá explorar algumas possibilidades que o estudo do teatro Britânico da época do Iluminismo oferece, quando relacionado com ideias, experiências e práticas derivadas da presença do ‘sul’ na tão celebrada, à época, ‘esfera pública’. O ponto de partida para estas reflexões será o texto ‘The Trunkmaker’, publicado por Joseph Addison numa edição de 1771 do The Spectator.

Nicholas Ridout é Professor de Estudos de Performance e de Estudos Teatrais na Queen Mary, University of London. Trabalha sobre a dimensão política do evento teatral como instância da produção cultural e como experiência afectiva e modo de organização social. Contribuiu para variadas revistas da especialidade.

Inúmeros pensadores críticos e activistas hoje em dia olham para o passado em busca de estratégias que lhes permitam desenhar futuros inclusivos (de identidade sexual, de anti-racismo). Pense-se, por ex., no ‘temporal drag’ de Elizabeth Freeman, ou na aproporiação femme-nista de ‘vintage’ de Ulrika Dahl’s. Considere-se nesta perspectiva o estudo de clássicos pós-coloniais como o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, de 1928, ou de histórias ‘menores’ (como, por exemplo, as Africanas). Nesta minha contribuição gostaria de interrogar como é que estes saltos anacronistas acontecem. Como é que saltamos para futuros do passado?

Sendo devedora do facto de tanto o pós-feminismo como o pós-colonialismo conterem em si um certo anacronismo (as pós feministas consideraram o feminismo fora de moda e enterraram-no prematuramente; a temporalidade pós colonialista é mais complexa), eu gostaria de tentar uma discussão precisa da noção de ‘geração’. Geração (de acordo com a raíz etimológica genoi)  pergunta como podemos classificar ideias e (de genesthai; vir a ser)   como essas ideias são geradas e permanecem generativas.

A relação estreita entre genoi e genesthai torna claro que não nos devemos apressar a colocar de parte os padrões da temporalidade linear; indirecções entrecruzam-se com direcções. e Alargar e afinar a noção de ‘geração’, argumentarei, tem potencial para o projecto deste Encontro.

Iris van der Tuin é Professora Assistente de Estudos de Género no Department of Media and Culture Studies na Utrecht University. Trabalha sobre epistemologias feministas e o novo materialismo, escrevendo sobre estes temas para várias revistas da especialidade. É co-directora da organização European Association for Gender Research, Education and Documentation (ATGENDER).