Indirecções Generativas – Programa

calendário

O encontro está estruturado enquanto residência: divide-se em momentos de discussão colectiva e em sessões de trabalho para pequenos grupos. Ao fim do dia, terão lugar as conferências públicas, abertas a todos, em dois espaços baldios da cidade de Montemor-o Novo: a antiga piscina municipal agora abandonada e uma estação de caminhos de ferro desactivada.

Por favor baixar daqui o programa do evento.

Investigando a relação entre “formas de vida”, arte, sociedade e política, Indirecções Generativas visa explorar as potencialidades que o campo dos Estudos de Performance oferece na abertura de um espaço crítico situado entre as Ciências Sociais, as Humanidades e a Arte. Ao dar voz a epistemologias contra-hegemónicas, entre a teoria e a prática, a “Indirecção” torna-se um campo magnético que desafia fronteiras disciplinares e questiona formas de acolher o campo dos Estudos de Performance em Portugal no momento actual. Para tal, procuramos problematizar o contexto de onde vimos e as possibilidades produtivas do que poderemos ser. Tendo em conta o contexto da proposta, a problematização da relevância da constituição de um núcleo de Estudos de Performance para o momento actual, em Portugal, emerge e actualiza-se na nossa prática de pensamento.

Entendemos ser relevante receber os Estudos de Performance em diálogo com textos escritos em português – três diferentes tipos de português, vindos de três partes diferentes de um mundo necessariamente pós-colonial –, que servirão como pontos de partida para este encontro, a saber: As Epistemologias do Sul, de Boaventura Sousa Santos, O Manifesto Neo-Animista, de Ruy Duarte de Carvalho e o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. Estes textos convidam-nos a pensar as premissas em que a contemporaneidade assenta por via de discursos não oriundos do cânone centro-euro peu.

O modus operandi deste evento internacional será o conceito de hospitalidade, entendida como uma prática cultural incorporada de receber e ser recebido que abre espaços de contacto e possibilidades de negociação entre o público e o privado, o convívio e a reflexão. Trata-se, acreditamos, de um fazer performativo, simultaneamente afectivo e político, que potencia a construção de pontes entre modos de saber e modos se ser.