cinco minutos, duas ideias: estudos de performance (parte II)

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© Isabel Brison

27 Maio 2014, 21h
Ponto de Encontro (Cine – Teatro Mário Viegas)
Inserido no festival alkantara, uma iniciativa do baldio
ENTRADA LIVRE

Cinco minutos, duas ideias parte de uma vontade de nos conhecermos e de auscultarmos o que andamos a fazer. Artistas e/ou investigadores de diferentes áreas apresentam sucintamente os seus trabalhos e processos, durante cerca de uma hora e meia.
A sessão está aberta a uma pluralidade de objetos (performances artísticas, culturais, do quotidiano) e abordagens (filosófica, antropológica, histórica, artística), desde que a abordagem use o performativo e/ou a performance como lentes analíticas e seja clara a vontade de um pensamento e posicionamento críticos.
A duração de cada apresentação será ferozmente controlada pela organização posto que, no final, se gostaria de ter tempo para um copo convivial e trocar galhardetes.

ALINHAMENTO DAS PARTICIPAÇÕES

(mestre cerimónias: Ricardo Seiça Salgado)

Ana Monteiro
remake ao vivo do filme Hand-Movie de Yvonne Rainer de 1966
(performance)

Cláudia Madeira
hipóteses para explicar a não história da performance arte portuguesa
(comunicação)

Isabel Nogueira
eventos colectivos de artes plásticas no Portugal dos anos 70: arte, liberdade, performatividade e… FESTA
(comunicação)

Berta Teixeira
BAILEnquanto
(comunicação)

GMURDA
teen spirit
(comunicação)

Teatro do Frio
pesquisa multidisciplinar que explora simbioses da arte sonora com práticas do teatro físico e elocução
(comunicação)

Pedro Oliveira
ciclo cinema coreografia / c de constelação
(Comunicação)

Cristiana Rocha / NEC
(Núcleo Experimentação Coreográfica)
calendário / entre.vistas
(encontro com convidado surpresa)

Sara Franqueira
a mise-en-scène como rede (net), espaço de navegação por génese e por defeito
a cenografia como prática intermedial
(comunicação)

Diana Coelho e Paulo Arraiano
emotional landscapes
(comunicação)

Vânia Rovisco
sem título
(performance)

João Garcia Miguel
PRETO E BRANCO: Ama o teu lixo
(performance)

Joana Pupo
jam session de viewpoints
(performance)

baldio
apresentação seguida de porto de honra
(conversa)

 

Em Reunião

das reuniões como práticas performativas | das práticas performativas como reuniões Co-organização baldio – estudos de performance e Maria Matos Teatro Municipal

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Trate-se de juntar gente, esforços, saberes, meios… reunir parece ser condição essencial para agir colectivamente. E é elemento essencial no trabalho do palco.
A reunião é a um tempo só um início e um momento de balanço. Mas as reuniões existem sempre em situação, são contextuais, e dependem inteiramente de quem as faz, de como são feitas, e para quê. São absolutamente performativas. Sendo, em si, um tipo particular de ação, precedem ações mais visíveis: são como que os bastidores dessas ações, o lugar onde elas se decidem.
Google-se a palavra e aparecem: reuniões de pais, de operários, summits, eucaristias, entrevistas de emprego… Encontram-se reuniões de e é esse de que lhes parece dar a forma e o tom, o que deixa no ar a questão de como serão as reuniões quando esse de não é um dado adquirido, mas sim algo em construção, feito de cumplicidades, consensos, desacordos, conflitos, tomadas de decisão participadas; quando esse de incorpora a ecologia particular de um lugar.
Se as reuniões podem ser vistas como práticas performativas (elas implicam uma distribuição de papéis e de funções), as práticas performativas assentam no ato de reunir. O próprio teatro é sempre criação coletiva e qualquer espetáculo reúne público e atores, normalmente de dois lados dos holofotes, mas cada vez mais misturados em projetos comunitários ou espetáculos participativos.
Virar as coisas do avesso, olhar para este momento que fica entre o que já fizemos e o que vamos fazer, e que, refletindo o passado, abre lugar ao futuro, é a nossa proposta. Porque nos parece fazer falta tanto reactivar as capacidades de uma possível acção colectiva como compreender os moldes, os limites e as possibilidades de como a colocar em prática, propomos ao espaço do teatro (em si lugar de reunião) que esteja em reunião.

programa Em Reunião

FICHA TÉCNICA

curadoria: Ana Bigotte Vieira, Joana Braga, Ricardo Seiça Salgado e Mark Deputter
imagem: © Isabel Brison
espaço: Alex Roemer, Joana Braga, Marco Balesteros
elementos gráficos: Isabel Lucena, Marcos Balesteros
mestre cerimónia: Tiago Barbosa
assistente: Bruno Caracol

co-produção: baldio – estudos de performance e Teatro Maria Matos
gestão: projecto BUH!

O baldio tem patrocínio de:
DGArtes/Presidência do Conselho de Ministros/Secretaria de Estado da Cultura
Fundação Calouste Gulbenkian
e é apoiado pela:
Re.al | A & M Sousa – Comércio e Reparação de Automóveis, Lda. |
mafia – Federação Cultural de Coimbra
Agradecimento especial ao:
São Luiz Teatro Municipal | espaço alkantara | Teatro Praga

Programa Público | Participação Gratuita


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PERFORMANCES E SESSÕES DE TRABALHO PÚBLICAS

7 de Setembro, 10h – 12h | Antiga Piscina Municipal

CONSTRUIR, DIALOGAR, RESIGNIFICAR, um projecto Casa do Vapor/ Exyzt

A partir da experiência vivida na construção da Casa do Vapor – um lugar de experimentação, troca, encontro e partilha de saberes – propomos um re-acting (re-encenar/reagir) em busca da construção/activação de uma ideia, de um espaço temporário, de um lugar onde seja possível agir, actuar, reagir e interagir. A experiência prática num workshop de construção em madeira estabelecerá relações e promoverá vivências que nos permitirão entrar em diálogo uns com os outros e encontrar resignificações.

A CASA DO VAPOR é fruto de uma parceria do coletivo Exyzt com a Associação Ensaios e Diálogos e a Associação de Moradores da Cova do Vapor. É uma construção efémera que serve de ponto de encontro para a comunidade local e visitantes de fora.Foi criada como espaço de estímulo à partilha, à aprendizagem, à criação e à experimentação artística, que serve de impulso à participação ativa e à valorização cultural da comunidade da Cova do Vapor. De Abril a Outubro de 2013 a Casa acolhe um programa cultural variado e abre-se a todos como centro catalisador de ideias e incubadora de projetos individuais ou coletivos.

7 de Setembro, 15h – 18h | Terreno da Adua (ponto de encontro às 14.30: Oficinas do Convento)

OFERECEM-SE SOMBRAS, um projecto Centro de Investigação Cultura e Sustentabilidade/ CICS organizado por  Vera Mantero

Ponto de Encontro: Oficinas do Convento. 1ª saída: 14.30h, 2ª saída: 16h

Ocupar por um dia o terreno da Adua. Ocupar as suas árvores e/ou suas respectivas sombras. Fazer nele uma espécie de “grande retrato”, um retrato com 32 hectares, um retrato sobre o qual se pode caminhar, deambular, descobrir, derivar, perder-se, e onde se podem “ver” as ideias, as necessidades e os desejos de vida que atravessam projectos como o CICS, a Transição, o Decrescimento e afins.

Quando o Indirecções me fez a proposta disseram entre outras coisas “a tua sessão de trabalho pode ser teórica, pode ser prática, pode ser ambas coisas, pode até ser subir a árvores…”. Entre a teoria e a prática, a hipótese das árvores foi a que mais me marcou! E foi esta a proposta que lancei aos membros do CICS e a vários habitantes de Montemor e que juntos propusemos ao Indirecções Generativas.

Vera Mantero começou a sua careira coreográfica em 1987 e desde 1991 tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canada, Correia do Sul, EUA e Singapura.

O “Centro de Investigação Cultura e Sustentabilidade” (CICS) tem como principal objectivo conduzir uma investigação inovadora sobre as possibilidades de articulação da cultura com a sustentabilidade; sobre a relação entre o lugar – o local – e o mundo – o global –, com base nas ideias de ‘glocalização’ e de ‘reterritorialização’.

CONFERÊNCIAS EM BALDIOS

Num gesto estético que se constitui simultaneamente enquanto gesto político, as conferências terão lugar em espaços de públicos abandonados (uma piscina municipal fechada, uma estação de caminhos de ferro desactivada).

6 de Setembro | Estação de Caminhos de Ferro desactivada

Quem precisa do conceito de performance?

“Precisará o Sul Global do conceito de esfera pública?” interroga-se Boaventura de Sousa Santos em Esfera pública e Epistemologias do Sul.

O conceito de esfera pública, cujas pressupostos teóricos e culturais estão intimamente relacionados com a história da Modernidade Ocidental, reflecte as prácticas políticas da burguesia europeia no início do século XVIII. Estes pressupostos não são necessariamente válidos universalmente, mesmo quando se parecem referir a grandes teorias gerais. De um modo semelhante, podemos então perguntar: precisará o sul global do conceito de performance? A emergência da performance como conceito-chave numa multiplicidade de campos e numa pluralidade de discursos, diz Jon MacKenzie, está directamente ligada com o desenvolvimento das sociedades ocidentais (os EUA em particular) no Pós Segunda Guerra Mundial, o que inclui a ascensão do neo-liberalismo e as transformações nas prácticas de conhecimento, características daquilo a que Lyotard chamou a condição pós-moderna. O que levanta questões semelhantes às levantadas por Boaventura de Sousa Santos a respeito da esfera pública.

Como nos poderemos manter à distância sem “deitar de uma vez só toda esta tradição tão rica para o caixote do lixo da história?” Explorarei as possibilidades abertas pela “duplamente transgressiva sociologia das ausências e das emergências” de Boaventura de Sousa Santos a uma aproximação contra-hegemónica à performance (e, por extensão, aos Estudos de Performance). Para tal servir-me-ei do conceito de “Former West” proposto por Maria Hlavajova nas suas recentes investigações sobre os processos de canonização em Estudos de Performance, e pela crítica empreendida por Chantal Mouffe ao conceito Habermasiano de esfera pública.

Maaike Bleeker é professora de Estudos de Teatro e Directora da Escola de Media e Cultural Studies da Universidade de Utrecht. Estudou História de Arte, Estudos Teatrais e Filosofia da Universidade de Amsterdão, tendo-se espacializado em Visualidade no Teatro, tema da sua tese de Doutorament na Amsterdam School for Cultural Analysis (ASCA). Desde 1991 que Trabalha igualmente como dramaturga em teatro e dança. É autora de Visuality in the Theatre (Palgrave, 2008). Tem publicado extensivamente em revista internacionais da especialidade e editado vários livros dos quais se destacam: Anatomy Live: Performance and the Operating Theatre (AUP 2008).  Prepara actualmente uma monografia intitulada Corporeal Literacy e um livro sobre dança e tecnologia digital (intitulado Transmission in Motion). Maaike Bleeker é president da Performance Studies international tendo organizado a  conferência internacional da Performance Studies international #17 sob o tema de Camillo 2.0: Technology, Memory, Experience.

O teatro tem servido de estímulo para acções de protesto, manifestações e revoluções. No entanto, nos assim chamados “novos/novos movimentos sociais” e nos protestos contemporâneos não estará a sua acção para além das performances teatrais? Não deveremos antes falar de  performance activism? Ou, tratar-se-á afinal de re-performance ou mesmo de re-enactments, dado que o arquivo, a documentação, a mediatização, para além da presença, se tornaram centrais?Performance activism é assim um sistema rizomático construído por (e em) manifestações de rua, acções de desobediência civil, ocupação do espaço publico e na sua  respectiva propagação e difusão na internet. Ou seja, ‘if the revolution will not be televised, will it be downloaded’?

Paulo Raposo é Professor Auxiliar no Departamento de Antropologia do ISCTE e Professor convidado da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2004-2008). Coordena actualmente a Pós-Graduação em Culturas Visuais Digitais do ISCTE-IUL. Foi Presidente da Direcção do Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS/ISCTE), membro da Direcção da Associação Portuguesa de Antropologia (APA, 2004-2009), fundador do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA, 2007-09), e fez parte da Comissão Editorial da revista Etnográfica (2000-2009). Publicou em diversas revistas e livros nacionais e internacionais. Realizou várias investigações de terreno em Portugal trabalhando sobre temáticas como o corpo, ritual, educação e mais recentemente na área das performances culturais, turismo, património imaterial e culturas visuais. Colabora regularmente com várias estruturas teatrais e performativas.

7 de Setembro | Antiga Piscina Municipal

Nicholas Ridout irá explorar algumas possibilidades que o estudo do teatro Britânico da época do Iluminismo oferece, quando relacionado com ideias, experiências e práticas derivadas da presença do ‘sul’ na tão celebrada, à época, ‘esfera pública’. O ponto de partida para estas reflexões será o texto ‘The Trunkmaker’, publicado por Joseph Addison numa edição de 1771 do The Spectator.

Nicholas Ridout é Professor de Estudos de Performance e de Estudos Teatrais na Queen Mary, University of London. Trabalha sobre a dimensão política do evento teatral como instância da produção cultural e como experiência afectiva e modo de organização social. Contribuiu para variadas revistas da especialidade.

Inúmeros pensadores críticos e activistas hoje em dia olham para o passado em busca de estratégias que lhes permitam desenhar futuros inclusivos (de identidade sexual, de anti-racismo). Pense-se, por ex., no ‘temporal drag’ de Elizabeth Freeman, ou na aproporiação femme-nista de ‘vintage’ de Ulrika Dahl’s. Considere-se nesta perspectiva o estudo de clássicos pós-coloniais como o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, de 1928, ou de histórias ‘menores’ (como, por exemplo, as Africanas). Nesta minha contribuição gostaria de interrogar como é que estes saltos anacronistas acontecem. Como é que saltamos para futuros do passado?

Sendo devedora do facto de tanto o pós-feminismo como o pós-colonialismo conterem em si um certo anacronismo (as pós feministas consideraram o feminismo fora de moda e enterraram-no prematuramente; a temporalidade pós colonialista é mais complexa), eu gostaria de tentar uma discussão precisa da noção de ‘geração’. Geração (de acordo com a raíz etimológica genoi)  pergunta como podemos classificar ideias e (de genesthai; vir a ser)   como essas ideias são geradas e permanecem generativas.

A relação estreita entre genoi e genesthai torna claro que não nos devemos apressar a colocar de parte os padrões da temporalidade linear; indirecções entrecruzam-se com direcções. e Alargar e afinar a noção de ‘geração’, argumentarei, tem potencial para o projecto deste Encontro.

Iris van der Tuin é Professora Assistente de Estudos de Género no Department of Media and Culture Studies na Utrecht University. Trabalha sobre epistemologias feministas e o novo materialismo, escrevendo sobre estes temas para várias revistas da especialidade. É co-directora da organização European Association for Gender Research, Education and Documentation (ATGENDER).

Indirecções Generativas – Programa

calendário

O encontro está estruturado enquanto residência: divide-se em momentos de discussão colectiva e em sessões de trabalho para pequenos grupos. Ao fim do dia, terão lugar as conferências públicas, abertas a todos, em dois espaços baldios da cidade de Montemor-o Novo: a antiga piscina municipal agora abandonada e uma estação de caminhos de ferro desactivada.

Por favor baixar daqui o programa do evento.

Investigando a relação entre “formas de vida”, arte, sociedade e política, Indirecções Generativas visa explorar as potencialidades que o campo dos Estudos de Performance oferece na abertura de um espaço crítico situado entre as Ciências Sociais, as Humanidades e a Arte. Ao dar voz a epistemologias contra-hegemónicas, entre a teoria e a prática, a “Indirecção” torna-se um campo magnético que desafia fronteiras disciplinares e questiona formas de acolher o campo dos Estudos de Performance em Portugal no momento actual. Para tal, procuramos problematizar o contexto de onde vimos e as possibilidades produtivas do que poderemos ser. Tendo em conta o contexto da proposta, a problematização da relevância da constituição de um núcleo de Estudos de Performance para o momento actual, em Portugal, emerge e actualiza-se na nossa prática de pensamento.

Entendemos ser relevante receber os Estudos de Performance em diálogo com textos escritos em português – três diferentes tipos de português, vindos de três partes diferentes de um mundo necessariamente pós-colonial –, que servirão como pontos de partida para este encontro, a saber: As Epistemologias do Sul, de Boaventura Sousa Santos, O Manifesto Neo-Animista, de Ruy Duarte de Carvalho e o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. Estes textos convidam-nos a pensar as premissas em que a contemporaneidade assenta por via de discursos não oriundos do cânone centro-euro peu.

O modus operandi deste evento internacional será o conceito de hospitalidade, entendida como uma prática cultural incorporada de receber e ser recebido que abre espaços de contacto e possibilidades de negociação entre o público e o privado, o convívio e a reflexão. Trata-se, acreditamos, de um fazer performativo, simultaneamente afectivo e político, que potencia a construção de pontes entre modos de saber e modos se ser.

Open Call – Indirecções Generativas, Encontro Internacional de Estudos de Performance

Estão abertas as candidaturas para: Indirecções Generativas – Encontro Internacional de Estudos de Performance, um “Cluster” de Pesquisa Regional da PSi (Performance Studies international). O convite é dirigido à comunidade de investigadores e artistas em artes performativas, artes visuais e outras artes que construam ideias e mundos, para o encontro que terá lugar de 5 a 8 Setembro de 2013, no Convento da Saudação (Espaço do Tempo), em Montemor-o-Novo, Portugal.

O encontro está estruturado enquanto residência: divide-se em momentos de discussão colectiva e em sessões de trabalho para pequenos grupos. Ao fim do dia, terão lugar as conferências públicas, abertas a todos, em dois espaços baldios da cidade de Montemor-o Novo (a anunciar posteriormente).

Investigando a relação entre “formas de vida”, arte, sociedade e política, Indirecções Generativas visa explorar as potencialidades que o campo dos Estudos de Performance oferece na abertura de um espaço crítico situado entre as Ciências Sociais, as Humanidades e a Arte. Ao dar voz a epistemologias contra-hegemónicas, entre a teoria e a prática, a “Indirecção” torna-se um campo magnético que desafia fronteiras disciplinares e questiona formas de acolher o campo dos Estudos de Performance em Portugal no momento actual. Para tal, procuramos problematizar o contexto de onde vimos e as possibilidades produtivas do que poderemos ser. Tendo em conta o contexto da proposta, a problematização da relevância da constituição de um núcleo de Estudos de Performance para o momento actual, em Portugal, emerge e actualiza-se na nossa prática de pensamento.

Entendemos ser relevante receber os Estudos de Performance em diálogo com textos escritos em português – três diferentes tipos de português, vindos de três partes diferentes de um mundo necessariamente pós-colonial –, que servirão como pontos de partida para este encontro, a saber: As Epistemologias do Sul, de Boaventura Sousa Santos, O Manifesto Neo-Animista, de Ruy Duarte de Carvalho e o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. Estes textos convidam-nos a pensar as premissas em que a contemporaneidade assenta por via de discursos não oriundos do cânone centro-euro peu.

O modus operandi deste evento internacional será o conceito de hospitalidade, entendida como uma prática cultural incorporada de receber e ser recebido que abre espaços de contacto e possibilidades de negociação entre o público e o privado, o convívio e a reflexão. Trata-se, acreditamos, de um fazer performativo, simultaneamente afectivo e político, que potencia a construção de pontes entre modos de saber e modos se ser.

Prazo de entrega de candidaturas: 13 julho 2013

Todas as candidaturas deverão ser enviadas para: generative.indirections@gmail.com colocando no assunto: “Proposta de Candidatura a Indirecções Generativas, Montemor 2013”

Por favor consultar aqui o programa do evento.

Cinco minutos, duas ideias: primeiro encontro baldio

14 de Julho 2013, 21h30, Espaço Alkantara, Lisboa.

Devido ao grande número de respostas ao nosso convite à participação faremos duas sessões.  A segunda será no Outono de 2013.

Cinco minutos, duas ideias: primeiro encontro baldio – reune investigadores e artistas cujos temas, abordagens e métodos se relacionem com os Estudos de Performance.

Partindo de uma vontade de nos conhecermos e de auscultarmos o que andamos a fazer, artistas e/ou investigadores de diferentes áreas (artes visuais, artes performativas, estudos artísticos, ciências sociais, ciências da comunicação, estudos culturais, estudos pós-coloniais, arquitectura)  apresentam sucintamente os seus trabalhos e processosdurante cerca de uma hora e meia. A sessão está aberta a uma pluralidade de objectos (performances artísticas, culturais, do quotidiano) e abordagens (filosófica, antropológica, histórica, artística) desde que seja clara a vontade de um pensamento e um posicionamento críticos.

Participantes:

1. Carlos Melo, Da  máscara em geral ao si da máscara na performance sacrificial

2. Catarina Laranjeiro, Etnografia visual da guerra de libertação/colonial na Guiné-Bissau

3. Tomás Colaço, Ponto de Partida: a performance como vida

4. Rui Morão, Atores de Contra-Poder – Ações Performativas de Protesto Não-Convencional no Espaço Público Português

5. Alexandre Calado, Harry Houdini Enterrado Vivo no Sal Marinho – uma imagem para pensar os artistas que re-inventam obras do passado

6. Tereza Luzio, Performance Autobiográfica. Análise e experimentação em processos de documentação

7. António Azenha, LINE UP ACTION

8. Sónia Baptista, Da necessidade de contar/cantar histórias e de tendencialmente dar voz a mulheres

9. Paula Varanda, Absolutamente dança, com muitos P.O.V.

10. Manoel Barbosa, Sem título

11. Mariana Bártolo, Paisagem Interior

12. Paulo Alves, Performance

13. Diana V. Almeida, “Desafios de Escrita”: Projeto de Performance Cultural no Museu Coleção Berardo

14. Fernando Silva, De um corpo para um corpo-para-a-vida

No final, teremos tempo para um copo convivial e trocar galhardetes ao som da música gentilmente disponibilizada pela Stress.fm.

Esta sessão tem como objectivo promover o encontro entre artistas e teóricos que partilham urgências e inquietações sobre vários apectos políticos, económicos e culturais do mundo actual e se revêm num pensamento crítico sobre fazer e pensar tanto as formas artísticas e as suas condições de possibilidade como as formas de vida.

Equipa curatorial: Ana Bigotte Vieira, Ana Pais e Ricardo Seiça Salgado Apoios: Alkantara, Quinta do Monte d’Oiro